terça-feira, 29 de dezembro de 2009
o prazer e o pacto nas chuvas
se um dia o mundo imaginar
que corpo é porta pra vida
lembre-o que tudo alucina
tudo vacila ao olhar pra cima
o céu nunca foi ponte nem chave
sempre foi verbo
e verbo não se conjuga com o olhar
e sim com toque simbiose
de poros em transe
por isso corpo transmuta pactos
o corpo nunca é
tampouco está
o corpo se pactua com tudo que resvala afeto
e o verbo céu
é total figura fundo
para o suor de nuvens
que transam tempestade
chova comigo
até que lampejo e gozo
sejam eletricidade de sons
e atravessem todas as vidas na cidade
alagando as ruas de qualquer estômago desatento
engendrando blecaute em olhares mancos
raiorgasmo pureza primal
corpos sempre pactuaram nuvens que transam chuva
sábado, 26 de dezembro de 2009
loucura, presente.
hoje viverei o presente
pois sei que
sem a loucura universal,
sou palha e fogo querendo
se encontrar
enquando sou louco
sou perfeito,
sou presente.
e o queimar-se é sempre futuro.
qualquer chama é futuro,
não existe presente
no ardor sempre mutante do fogo
abraço a loucura de todos os tempos
pois ela é o presente
é alma planetária em desvario
é chama a esperar eternamente seu próprio devir
é um aspirar-se fogo
nunca o sendo de fato
é o estar sempre em suspensão
ela é o decorrer eterno da queda profunda
no abismo da alma
cujo chão é mera vaidade
por isso se faz tão firme
rente ao espelho total
vaidoso chão imaginário
de alma sedutora e envolvente
alma louca que se fogo fosse
futuro seria
e futuro não existe nos jardins da loucura
mas é presente
num alucinado gozo incendiário.
na loucura
tudo é presente
tudo aguarda ser chama
e nunca a será
pois a certeza
da loucura
é a de que o futuro
morrerá
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
porvir saudade
uma folha,
em seu carinho com a chuva
homenageia o mundo
no reluzir embriagante
da gota d'orvalho
você,
com seu sorriso de música universal
exagera o mundo
na suavidade d'uma lágrima
condão da saudade
ainda não vivida.
saudoso futuro
latente presente
no desperdir-se.
gota:
lágrima orvalhada.
espero-te.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Encantado
sou
eterna
parafina
decantada
próxima
as
chamas
do
firmamento
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
pairar então

tropecei dia desses
numa flor
manca
momento duro
ela se inclinou
em direção ao tempo
e ao tentar beber
a voracidade de um crepúsculo,
engasgou-se
com a ávida sensação
do horizonte de mundo todo
porém
quando se vive
com um sol que arde n'alma,
não há dor que não engendre raios
tampouco lágrimas que não adubem
terra
____em nosso
____________espectro
e esse sim,
sente o gosto afável
de flor que está
sempre prestes
a levitar.
pairemos,
pois.