domingo, 12 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
o universo
no quarto de dormir
procurando por sinestesias
achei uma forma de tocar sensibilidades
comecei a dançar
dançar com o ar
pra dar um contraste,
jogava minhas cuecas
para o alto
o ar agradecia
resvalando minha pele
com pedaços de vento
vento
o que é vento?
acho que é
vontade do ar de fazer amor
dançamos então na horizontal
eu e o ar fazendo amor
aumentei o Coltrane que tocava
e virou orgia
o ar parecia não aguentar mais de tesão
todo aquele sax saltitando sexo no ar
a ventania começou a ficar forte
minhas cuecas voavam pela janela
eu dançava alucinado
amor supremo
repentinamente o ar já era sax
e o sax, sexo
eu apalpava o som
trocando carícias sinestésicas
com o vento em espasmo
gozamos juntos
foi lindo
sábado, 27 de junho de 2009
infinito
passou a vida
tentando temperar cores,
hoje, só usa limão,
o ácido as exalta.
buscou hedonistas
no asfalto, no mato, no quarto,
sempre respondiam:
- converse com a pele, hable con ella...
seguiu o conselho,
e descobriu
uma pele prolixa
- cale-se!
ela calou,
mas aí seu pau
em protesto,
ficou duro pra sempre.
concluiu que pele
não se deve reprimir,
há que se ter equilíbrio.
deixou-a falar,
agora são amigos
a pele e o pau
hoje,
ao abraçar Dionísio,
escuta dele:
- noites há que serem
sincopadas
em ritmo de pele.
somou então:
poros (também conhecidos como bocas)
limão
cores
tequila
lubrificação vaginal
e o resultado foi 8
deitado.
terça-feira, 23 de junho de 2009
droga
aquela coceira na cabeça
não passava.
desconfiei que fosse um piolho.
dia desses o encontrei
coloquei-o em minha mão
e falei:
espera o sangue de depois do almoço,
comerei duas garfadas a mais por você brother.
devolvi-o a sua residência
na região da nuca,
próxima a orelha esquerda.
depois do almoço
senti uma pontada naquele local.
era o piolho
chupou tanto
que caiu na corrente sanguinea,
deu umas boas gargalhadas com isso
parecia tobogã.
e eu me coçando todo
por dentro
até que encontrou nova moradia
agora vive em meu único rim
e ao invés de tomar sangue,
fuma pedra.
e eu aqui,
mijando fumaça.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
estética
na estética poética
não há ética
ora, pois
ética, esticada,
é estética
hermenêutica da ética
é hermética.
toda poesia,
antitética.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
parto
arranquei os pés
afim de enxergar com as mãos
meu intestino se soltou
e não tenho cotonetes
meu par de botas não serve mais
engordei
toda aquela barba
e eu sem cueca
fiquei embaraçado
tive que raspar, na zero
assoei e não saiu nada
estava mesmo careca.
pronto, agora só tenho um orifício
meu umbigo, uma cloaca
o universo me penetrou
gozei
pari eu próprio
tudo não passava de um corpo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Pesadelo unilateral, sonhos coletivos.
Um verso um momento,
a história de um movimento.
Espaço democrático,
que nome, satírico riso.
Aqui, não há.
Os extremos se enfrentam e se revelam
flor de cá bomba de lá,
uma pedra sozinha não faz verão,
mas para eles é tempestade,
É tempo de escuridão.
Os raios do sol não aceitam a fumaça,
driblam-na para encontrar meus olhos.
Essa fumaça e o sol, duas naturezas diferentes, não se dão,
Nada se pode ver luz em um cinza tão denso e sórdido.
Essa dor latejante e vermelha vem da borracha,
O corpo sentiu, caiu no asfalto de petróleo.
E o gás me dá mais sede.
Quero beber água e hidratar.
Para turgir o corpo e vencer a constricção
A opressão.
As lágrimas ardentes que espelham o sorriso cínico,
Misturam-se com as ardentes lágrimas de amor.
Baixe o seu escudo e toma esta rosa seu homem.
De um lado a liberdade, do outro também?
De um lado a força do outro também.
Correr as cegas esperando o próximo rojão,
esperando a bala e a pimenta na mão,
confuso só lhes restam o espaço, e as pernas.
E o que nos resta somos nós mesmos.
Viver o calor do fogo e passar a luz.
E os sonhos virão verdadeiros.
Verdadeira liberdade.
Unidade pela união.
São batalhas de todos os dias.
a história de um movimento.
Espaço democrático,
que nome, satírico riso.
Aqui, não há.
Os extremos se enfrentam e se revelam
flor de cá bomba de lá,
uma pedra sozinha não faz verão,
mas para eles é tempestade,
É tempo de escuridão.
Os raios do sol não aceitam a fumaça,
driblam-na para encontrar meus olhos.
Essa fumaça e o sol, duas naturezas diferentes, não se dão,
Nada se pode ver luz em um cinza tão denso e sórdido.
Essa dor latejante e vermelha vem da borracha,
O corpo sentiu, caiu no asfalto de petróleo.
E o gás me dá mais sede.
Quero beber água e hidratar.
Para turgir o corpo e vencer a constricção
A opressão.
As lágrimas ardentes que espelham o sorriso cínico,
Misturam-se com as ardentes lágrimas de amor.
Baixe o seu escudo e toma esta rosa seu homem.
De um lado a liberdade, do outro também?
De um lado a força do outro também.
Correr as cegas esperando o próximo rojão,
esperando a bala e a pimenta na mão,
confuso só lhes restam o espaço, e as pernas.
E o que nos resta somos nós mesmos.
Viver o calor do fogo e passar a luz.
E os sonhos virão verdadeiros.
Verdadeira liberdade.
Unidade pela união.
São batalhas de todos os dias.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sobre sinceridade
abrir o peito com faca de pão
cega
e sentir a dor da faca
com o tórax amolado.
do peito já aberto
extirpar o coração pela aorta
e degluti-lo
em uma só mordida.
agora a linguagem é pulsante
e a verdade,
que nunca existiu,
que nunca passou de uma invenção,
existe.
afaga o que era difuso
difusa o que era afago.
sente-se uma eloquência muda
percebe-se plenitude e leveza
na confusão
e tudo se explode
pra dentro.
enquanto isso,
o vento sopra sal
em orelhas doces.
sinceramente.
sábado, 6 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
desejo vegetal
em um belo dia, um vegetal, ao ter uma alucinação, conseguiu materializa-la.
não se sabe se por força dos acordes da terra ou por vontade de pedra bater asas.
mas materializou-a.
há a possibilidade remota de ter sido o ar, que quando sopra, é desejo multicromático.
desejo não por falta de algo,
mas desejo-intensividade
que se agencia em cada poro.
intenso campo imanente.
mas materializou-a.
e era eu
em forma de musgo.
corpo sem órgãos.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Conversa de banco de concreto
O Sol nasce e logos chega a Lua,
Por incidência direta ou refletida,
A luz sempre no céu.
Nos olhos dos homens e dos bichos,
Nas veias das plantas,
No ar.
E a vida assim, poesia do universo.
Por incidência direta ou refletida,
A luz sempre no céu.
Nos olhos dos homens e dos bichos,
Nas veias das plantas,
No ar.
E a vida assim, poesia do universo.
terça-feira, 26 de maio de 2009
sobre como surgiram os manicômios
louco é apenas o cara que resolveu abrir a braguilha do mundo
só que o mundo não usava cuecas
aí ninguém gostou,
o pinto do mundo o castrou
e nos olhos da humanidade,
gozou.
Quem cita, excita(do).
Porque ler poesia é criar outra,
outras dores.
No meu imaginário esta outra se cria com mais amores,
Seja parte ou inteiro,
o que me alimenta a vida é ração feita deste erro,
erro diário de morrer precocemente.
O erro flutua, perpassa, enlaça o destino e nos dá novamente a alegria de estar vivo.
Errar é humano, e divino:
outras dores.
No meu imaginário esta outra se cria com mais amores,
Seja parte ou inteiro,
o que me alimenta a vida é ração feita deste erro,
erro diário de morrer precocemente.
O erro flutua, perpassa, enlaça o destino e nos dá novamente a alegria de estar vivo.
Errar é humano, e divino:
"nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez"
Paulo Leminski
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
céu vagem
sabe,
quando se perde a cabeça
deve-se raspá-la.
cabelos entopem os ralos
e é pra lá que as cabeças perdidas vão
ralo abaixo
esgoto acima.
outro dia vi uma cabeça
boiando no esgoto ao ar livre.
dela, saia uma fumaça
vermelha
estava escrito na testa:
cheque especial, limite estourado.
nem deu tempo de pensar nos juros prestações
a tv plana digital home theater folia estava alta
high definition
e a cabeça já havia se perdido ralo abaixo
high condition
só ficou a fumaça, fedendo.
cabeças não são feitas de concreto
são permeáveis
- cérebro de shampoo? -
cabeças são feitas de avencas
e ao invés de se perderem ralo abaixo
deveriam se perder canto de cigarra acima
e sapear um coacho.
no meio de tanto concreto
é difícil ser abstrato.
- Diógenes Devir-vegetal
segunda-feira, 11 de maio de 2009
cidade e jardim
lembra de quando fomos ao cinema
e o filme não terminou?
o fato é que rasgamos o roteiro no meio
a minha metade, continuei escrevendo
com sangue e parafuso,
na cabeça
sua metade é escrita
à lagrimas e insônia,
em um coração que não dorme
nas filmagens
virei ator
lá estava eu desempenhando meu papel
lá estava você fazendo origami
de sua delicadeza,
virei tsuru
e voei
de meu vôo,
aprendi que só confio
em quem faz origamis
o resto todo é só papel
meu roteiro continua sendo escrito
letras voadoras
me flutuam para o oeste
já o seu, é uma bela e contínua dobradura
te desdobra com fé para o leste
mas ambos,
para cima
nos elevamos juntos
em caminhos opostos.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
há braço
quer ouvir minha voz?
chegue perto de minha nuca
sinta meu cheiro
o torpor de um abraço
abraçados,
inspire
expire
arrepio
inspiro
expiro
você me ouve
pelos pêlos
enrigecidos
- quando a carne quer se mostrar,
sai de dentro de nós
pelos pêlos, que se enrigecem
como mera defesa da voracidade
ensaiando uma ode à suavidade -
pela pele
nossa sinceridade pura
- a pele nunca mente -
um gemido de poros
e olhos fechados
abraço gana
respiração minha
coração seu
compasso nosso
em uníssono.
um abraço:
o universo é assim
todo o resto é mentira.
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