segunda-feira, 2 de junho de 2008

nada

Acabei de presenciar algo dantesco,
todos os meus poros abertos,
atingidos por uma onda de mar,
o sal e o mar, resseca, é verde.

diante da obscuridade de nossa existência,
muito podemos indagar,
nada há de obviedade nos fenômenos,
e nem padrão há na razão,
aquela razão que não tem chão.

Vivendo em acaso
e pela imprevisibilidade dos fatos futuros,
prentedemos entender e visualisar,
aquilo que não há nem em pensamento:
pretensão analítica supostamente lógica diante de uma previsão irreal.

Se o que vem e o que o foi, não é e foi, respectivamente,
então nos resta ser. Ser junto -nem sob nem sobre - diante do que é ao mesmo tempo.

Junto do fato vem sofrimento,
Diante de mim não deve haver guerra.
Mas sabedoria para raciocinar vida
e destreza para conduzi-la.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Só isso.

Somente dor é inquietude
O resto são palavras.

Somente palavras são inquietantes.
O resto é silêncio.

Somente a visão é romântica.
O resto é romantismo.

Somente solo o meu coração.
O resto é involuntário.

Somente choro devagar.
O resto é a cidade.

A sombra é como a mentira do corpo.
Do corpo do homem.
Homem que só mente

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Perca-se

.

Percepções alteradas.
Alta atitude que subverte
a sensação de contato firme com o solo
para ser lançado então,
a uma altitude cada vez maior.
Intensidade e efêmeridade
se confundem e se tornam iguais.

Caos.
Ritmo que alucina
e avassala;
a sensação de unidade e reconciliação
com a natureza é espantosa,
tudo é agora,
atinge-se o uno.

Altitude ininteligível,
a sensação de estar à beira do penhasco
torna o hedônico nauseante, ou vice-versa,
é confuso,
mas a confusão nem chega a ser apreendida
por isso é intenso
e efêmero.

Estar à beira de
é uma condição humana,
há quem se cegue e não quer se perceber no limite,
clara estagnação.

A loucura que se faz perdição,
é uma loucura necessária.
Ninguém se encontra, se cega.
Por isso me perco,
me deparo com o inusitado,
e celebro o eterno e dialético encontro de estar perdido.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Resiliência



Engula.
À seco,
áspero,
com ardência,
sem líquido.
Antes, misture bem
e ponha fervor.
Perca a cabeça,
engula desenfreadamente.

Não há tempo para digerir,
remexa-se rapidamente
contorça-se até doer
tente digerir por conta própria
faça o possível,
mas não há possibilidade...
Desengula.

Agora cuspa
cuspa como aquele escarro
proveniente do mais profundo
espaço do pulmão.
Puxe tudo, visceralmente.
cuspa com força
direto ao chão,
e pise em cima.

Agora ande,
ande depressa.
Corra.
Corra com desespero
viva, respire, grite! Sorria?

Pois a vida,
não se digere
mas pode nos digerir,
e isso,
é morte.
Morte em vida.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O nosso grito!

"O grito:
De empregada doméstica a diva dos produtores e DJs do mundo todo, Deize Tigrona se encontrou no Funk. Prestes a sair em turnê pela Europa, a MC conversou com O Grito!, onde mostrou um lado terno que contrasta com as rimas que canta no palco. " ( http://www.revistaogrito.com/page/05/05/2008/deize-tigrona/ )

Há 63 atrás, o grito:
De pintor a "divo" dos matadores e SKs(Serial Killers) do mundo todo, Hitler se encontrou no nazismo. Prestes a sair em turnê pela Europa, o tirano conversou com O Grito!, onde mostrou um lado terno que contrasta com as atrocidades que comete no país.

A intenção aqui não é comparar Deize com Hittler ou criticar negativamente o funk (a não ser a Dança do Créu que realmente veio das profundezas aonde habita o tinhoso sulfurado). A questão é: diante da imprensa e propaganda qualquer um é terno, meigo e o caralho a quatro. Isso cabe a um bucado de neguete:

O grito:
De militante estudantil a "divo" dos reacionários e banqueiros do mundo todo, José Serra se encontrou no Palácio dos Bandeirantes. Prestes a sair em turnê por São Paulo, o governador conversou com O Grito!, onde mostrou um lado terno que contrasta com as atrocidades que comete no estado.

É bem por aí...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sinta, fome de sentir.



Desconfiguração por angústia de falta de linguagem.
A comunicação entre pessoas não existe,
mas há tentativas.
E tanto se perde nessas tentativas
que a vontade de desistir é quase inevitável.

Aquele olhar
que mata,
é apenas uma gota do rio
que flui sem a direção
que a nascente quer.

Mas essa gota
se torna um verdadeiro oceano
salgado e profundo,
quando pinga
em tempestade
no telhado vizinho.

Aquela palavra (mal)dita
é uma singela migalha
do infinito livro sem palavras
que é o sentir do (in)consciente.

Migalha que dá fome.
Fome de quem diz,
fome de quem sente,
fome de ser sentido.

Fome de toda forma
de manifestações humanas.
E essas, são devoradas
na esperança de algum preenchimento
para um vazio que nem se sabe de que.

Devorar é preciso.
Devore.
Comunicar é tentar.
Tente.

Buscar o outro é imprescindível para matar a fome
de uma alma desnutrida.
Pois sem o outro,
não há poesia.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ambivalente

Envoltório.
nenhum tipo de ar de liberdade
parece adentrá-lo,
só o que entra é nebulosidade
e fumaça (física ou não).

O que sai é pior,
não é nebuloso e nem físico.
É mais.
Pois sai em ondas revoltas
de puro desmantelamento
que destrói o que há ao redor.

Ambivalência:
esse envoltório só se fortalece
pois surge da mais pura forma de esmorecer.

Dentro da carapaça,
derretimento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Um loiro choro.

Estou com sono. devo eu chorar?
sozinho. amar?
cansado. dormir?
dormindo. sonhar?
sonhando. chorar?
amando. acordar?
acordado. chorar?
Estou sozinho. devo eu dormir?

boa noite aluc[i]no.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Poeira leve



Frio. Muito frio.
Dia cinzento.
Procura-se um horizonte,
nele há galhos
retorcidos
quebradiços.
Não há apoio. Frágil horizonte.

Frio intenso.
Ele sopra na nuca
estremece o corpo
desce para o estômago.
Precisa-se de um cobertor,
não desses de tecido,
e sim daqueles de orelha.
Respiração forte. Úmida.
Calor nos poros.
Esse cobertor.

Insônia.
Tenta-se contar carneirinhos,
mas eles não estavam lá.
Nem sobrenome tinham.
Talvez tenham virado cobertor para outro.

Solidão é realmente uma palavra aumentativa.
Já sozinho,
é diminutivo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sombra



Eis que o ardor do sol
toca em minha coluna
e atinge minha alma.

Sinto-me mais desperto
e lembro-me da seca
que assola famílias sertanejas
e as deixam
corroídas de falta d'água
e irradiadas com o calor em brasa
que as ferve na pele.

E ainda há alguns
com a audácia de me dizer:
"Busque seu lugar ao sol."

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Olhe, sinta!

Cada um de nós portamos desavenças internas,
Carregamos em nossas caicholas reflexões intermináveis,
Como esperando pela chuva num deserto.

Como então insurgir diante de nossos monstros?
Como dissolver tantas incongruências,
E sair dessa coisa que cola e incomoda.

Façamos voar a fênix de nossas cinzas inseguranças.
Bom dia. Boa tarde.
Como vai seu João? Como vai seu Eu?

Que brote da amargura, o amor!
Que surja do desencanto, perspectivas!
Que seja iluminado o espírito!

É você no mundo!
Mais infinitos elementos que o circundam
e são potencialmente capazes de te abrir a visão.

Os monstros são feitos de nada!
As pessoas, as nuvens e as borboletas não!

Bom dia!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Quase



E cá estou novamente,
tentando usar palavras.
Mas pra quê?
Se a corrosão é tanta,
que mal consigo estruturar um pensamento.
Se o choque é tamanho,
que nem consigo me levantar.
Palavras pra quê?

Essa é só mais uma poesia jogada fora.
Quase perda de tempo.

Eu disse quase.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Para Brincar



Dê pressão
para implodir a alma.
Pois é necessário pressão interna
para o grito contido
e pro pensamento sujo.

Aí sim,
a alma implode
e o mundo explode.

E aquela criança
daquela amarela infância
ressurge através de um riso,
o riso da própria tragédia.

Agora brinca.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Róótulações fashion-midíaticas



Qual a última palavra em fashion?
Vamos pra New York City,
pegar um yellow cab,
passar spray de pimenta no olho de um New York City Cop, (seria mais legal fazer isso aqui no Brasil)
tomar um coffee no Starbucks (que seja brasileiro, claro)
e no fim de tudo sofrer abuso anal no aeroporto
pois esqueci que não podia levar uma caneta no bolso por ser um objeto pontiagudo de extremo risco para a segurança nacional americana.
Ainda apareço no Jornal Nacional: Brasileiro é preso em aeroporto de L.A.
Isso sim é ser fashion. (mais ainda só com uma L.A. Woman)
everybody loves my baby, cause she get high

Mas ao ir ao Japão percebemos que
nosso oriente é rente a televisão,
mas que pena!
Eu não quero ficar aqui enquanto uns dormem.
Quem não vive tem medo da morte.
O jeito é deixar a vida pela bola... só se não for brasileiro nessa hora. E sair on the road.
um dia eu chego no oriente.

Celulares e nano-tecnologias orientais,
japoneses têm mania de grandeza? Dizem que não... (mulheres são fofoqueiras mesmo hein)
Mas eles são fashion,
HQ's, mangás, hentais... tudo se materializa na vestimenta jovem.
Japonesinhas estilo "high school" são a última palavra em fashion.
Afinal afinal... todos os padres do mundo querem uma dessas.

Mas no Brasil é mais legal,
hoje fashion é ir vacinar contra a febre-amarela,
ontem era não comprar leite da coopervale...
engraçado é que hoje a mídia me informou que:
- já são 11 casos de febre-amerela constatados.
- 31 pessoas sofreram de super-dosagem de vacina.

é... acho que a vacina é mais fashion que a doença,
o jeito é me picar com uma agulha (e quem sabe ser uma vítima da overdose amarela)
e se possível ir pra pirinóps,
me naufragar por lá.

Ah! E essa semana tem São Paulo Fashin Week (ou seria weak?)
Lá sim a galera magra gosta de usar o nariz e se picar...
Brown sugar! It's my life and it's my wife!
Fashion a porra isso.

Mas calma, o Carnaval e a final no BBB ainda chegarão.

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha
O ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

¡ Buuh !



Configuração do medo:

Automatização do homem moderno.

-------- preparado ?-------
-------- protegido ?--------




Receoso do pior. (e assim se esquece de viver, ver,ser)
Ilhado na sua mediocridade. (nao quer água. e nem vida)
Gestos prontos ( iáá!! aiii!! corre!!!).
Atitudes pensadas (será? perigo? . hum.. dobro a esquinha. sem confronto)

Auto-arapuca. Caiu! Envolto em ceguidão e penumbra.

O herói moderno: Homem Vazio.

(Salve-o! Mas não a mim.)


Preparado para a surpresa da cidade.
Para o roubo a mão armada.
Para o ataque do menos digno.

Felicidade cristalizada contida enganada.

COMO É VIVER ASSIM?___________________

_______Não é._________________________

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ai ai ui ui...dor vai, cura flui!

Dor.... Aaaah...

Localizada...
Abaixo da meia-costas...
Acima dos glúteos!!

Dor... Aaaah...

Iiiihhhh. para de manha!
Toma um chá de capim santo que melhora!!

Dor... Aaaah...


Massagem, mensagem, colagem, sustagem...

Algum resolve?

Massagem chinesa? Bom
Mensagem de um amor instável? Otimo
Colagem de uma vértebra? Complicado.
Sustagem? Pra passar a manhã enquanto a mensagem e a massagem não chega.


Tentaria de tudo (
Ervas coloridas da Polinésia.
Algas frígidas do Azerbaijão.
Larvas interessantes de um Comorão.
)
para curar esse penar lombar.


Hà cura... A cura... Á cura:

A cura que precede a fúria dos meus fios.

Tão tensos quanto a fúria aguda do arrepio.

Inerte à névoa densa do meu cálice de vinho.

Intrìnseca no cerne da madeira cor de Pinho.

Composta de energias positivas salva a carne.

Carnavaliza o meu osso surrateira sem alarme.

Num suspiro lava o céu enterra a morte e lava a alma.

Vem chegando toda luz para livrar-me desse trauma.

¡CALMA ALMA!



terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Comigo sem o rijo, vivo.

Eis que sois entre vós,
Sei que manejo meus limites,
Sei do campo vasto que é a vida,
Eis que sois entre vós.

Nos guardar em sí, fechar a gaveta, analisar o escuro.
A nao visao do pensamento supervisionada por nossos instintos humanos.

Aonde estamos e pra onde vamos?
Daí vem a garantia do vazio.
O sem estar com prévias curtas de emoçoes fulgazes.
A eternidade que adentra em nossas potencialidades.

Rigidez congela as palavras.
Frigidez constricta os homens.
Camadas sobrepostas de frágil dureza.
Impermeável à suave leveza, que é em si o sentir do ser.

Há por vir.
Ainda há por vir.
O tudo para discutir.
E o tempo para nos iludir.
E a morte para nos redimir.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

[Atribuição de Causalidade]



Atribuir causas
por estar na sala
mas não na aula.
Quais causas?

Como ser Psicologia
e não ser psicologizante?

De que vale a percepção
da mulher agredida?

"
58,7% das mulheres pesquisadas
perceberam a intenção do marido
de causarem danos físicos."


Números roxos latejantes,
porcentagens vermelhas gotejantes.
(o pontapé já existia antes do marido)
A dor tem tamanho?

Não estou na aula,
e isso tem causa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ordem cívica?



Polícia porra!?
Policia quem?
Movimentos que lutam para acabar com a hegemonia de uma classe dominante?

Classe essa que: expropria, aliena, explora, rouba com o respaldo da lei, rouba sem o respaldo da lei e foge impune, detém o poder dos meios de comunicação e manipula todos os dias uma população inteira, educa e dita padrões de comportamento, desenvolve pesquisas nada humanas e totalmente mercantilistas, prega valores através de inúmeras igrejas e religiões, desenvolve políticas de manutenção da ordem vigente, DITA OS RUMOS DA EDUCAÇÃO... reticências e reticências...


"dia 07 de dezembro estava marcado o Conselho Universitário para ser aprovado o REUNI na Universidade Federal de Uberlândia. O movimento estudantil tirou em Assembleia barrar o processo de votação. Assim, os estudantes fecharam a reitoria para que nenhum conselheiro e diretor da UFU entrasse para efetuar o CONSUN.

O nosso reitor o Professor Arquimedes que é presidente da ANDIFES, acabou de maneira autoritária, mesmo depois de passado o tempo estatutário para a continuar do Conselho Universitário, saindo as escondidas com seus capachos e aprovou o REUNI num local ainda desconhecido pelo movimento estudantil.

Estaremos construindo a luta aqui na UFU em duas esferas a partir daqui, uma jurídica questionando a votação que nem representação estudantil e técnico-administrati vo contou, outra no cotidiano da Universidade denunciando a falta de democracia e o processo do REUNI.

Nossa avaliação é positiva, pois conseguimos trancar da reitoria e inviabilizamos a "legalidade" do Conselho Universitário. Agora mexeremos nossas peças contra o REUNI na UFU e construiremos uma grande campanha com o presidente da ANDIFES que gosta de um discurso democrático mas na prática se mostrou tão ou mais autoritário como muitos reitores conservadores espalhados pelo Brasil."


Essa é a classe que tenta nos manter em letargia e que quando percebe que não houve sucesso parte para o aparato armado e tenta nos coibir dessa forma. A polícia definitivamente está a serviço disso e é treinada pra isso. (Vide inúmeras manifestações estudantis que ocorreram esse ano e foram coibidas com força armada e truculência, além de outros movimentos como os de luta pela terra por exemplo)


Análises sobre o REUNI: http://www.andes.org.br/dossie_reuni.htm

Conheça o time do MEC para aprovação de políticas educacionais mercantilistas: http://www.andifes.org.br/annoucements.php

A letargia que se disfarça de movimento: http://www.une.org.br/

http://www.youtube.com/watch?v=wP3wAlsYF1s

http://www.youtube.com/watch?v=jYeY43pH4Ac&feature=related


Agências de notícias sérias:

http://www.midiaindependente.org/

http://www.brasildefato.com.br/

http://www.cartamaior.com.br/

http://carosamigos.terra.com.br/

sábado, 8 de dezembro de 2007

...?.,!:;

Qual como quem quer querer (,.!?)
........ Como quem quer querer (,.!?)
....................Quem quer querer (,.!?)
..............................Quer querer (,.!?)
........................................Querer (,.!?)

A pontuação é do dia...

Acordo com interrogação,
Passo o dia com exclamação,
E durmo num ponto final.

Vivemos dessa combinação.

Por exemplo o José:
Acorda com exclamação,
Passa o dia com interrogação,
E dorme com interrogação,

Um outro caso é o João:
Que vive o dia numa eterna reticência.

Ou o Zeca:
Que nem acorda.
Mas sonha com toda a pontuação.

E assim continuamos,
Perguntando, finalizando, indagando, resignando.
Expressando... Vivendo...
(Acordados ou não).