Sem papel e sem palavras
tirou a consciência da mão
e a janta do pé
mas ficou dentro disso
a poça que estava no pé.
E a janta mofou
a consciência pesou
fora de si estou.
A poça do pé
o poço fundo
escuro, não se vê nada.
Lá embaixo o nada
imerso em barros,
Manoel me disse
pra não perder o nada
fui lá embaixo buscá-lo
pra ter algo importante.
Palavras em acordes
me dançaram
enlameado do poço
mofado da janta
as pessoas da sala
ao saírem,
me passaram o saleiro
e eu, claro,
mirei-o em nada.
Estava dançando no escuro,
com sal.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Perda
Aquela tarde úmida
foi o rebento da porta ansiosa
desesperada, à margem, aflita,
ela bateu.
O estrondo olhou pra todos,
todos olharam entre si, atônitos,
desconcerto
susto geral.
Uma reação:
cabisbaixos,
agiram como se nada tivesse acontecido.
Sem falar nada tudo havia ficado claro,
se sentiam uns merdas.
É de se entender,
a porta se fechou.
foi o rebento da porta ansiosa
desesperada, à margem, aflita,
ela bateu.
O estrondo olhou pra todos,
todos olharam entre si, atônitos,
desconcerto
susto geral.
Uma reação:
cabisbaixos,
agiram como se nada tivesse acontecido.
Sem falar nada tudo havia ficado claro,
se sentiam uns merdas.
É de se entender,
a porta se fechou.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Uma estrela
eletricidade musical aérea
sinapses até a ponta dos cabelos
tenho a permissão das palavras para me embriagar
de cores e liberdade
deitado na grama vejo melhor
estrelas róseas de nuvens escuras
as folhas das árvores me ventam para dentro
de dentro pra fora assobio o balançar da palmeira
alguém ao meu lado aponta o céu
é uma estrela
e ela aponta para seu reflexo lá em cima
as folhas ventam frios ruídos
mas ela me aquece, me conforta
meus braços nunca estiveram tão abertos
nunca estive tão serenamente aquecido.
sinapses até a ponta dos cabelos
tenho a permissão das palavras para me embriagar
de cores e liberdade
deitado na grama vejo melhor
estrelas róseas de nuvens escuras
as folhas das árvores me ventam para dentro
de dentro pra fora assobio o balançar da palmeira
alguém ao meu lado aponta o céu
é uma estrela
e ela aponta para seu reflexo lá em cima
as folhas ventam frios ruídos
mas ela me aquece, me conforta
meus braços nunca estiveram tão abertos
nunca estive tão serenamente aquecido.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Considerações profissionais...
"Faço um convite - talvez mesmo um apelo aos colegas: voltemos à verdadeira Psicologia que é genuinamente social no sentido de que deve ser compromissada primordialmente com o ser humano, com a sociedade e não com o capital. Será que não estaria na hora de buscarmos uma certa utopia, que significa aquilo que ainda não teve lugar... Mas que poderá vir a ser... Talvez esteja na hora de nós, psicólogos do trabalho, tomarmos o nosso lugar de defensores da saúde física e mental dos trabalhadores frente a uma estrutura social sufocante.
A proposta de uma vida cheia de sentido implica uma outra organização societária, em que o ato laboral seja uma ação saudável, ou melhor, um espaço de liberdade e criação, no qual a dignidade humana se torne efetivamente um valor a ser considerado."
"mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido"
A proposta de uma vida cheia de sentido implica uma outra organização societária, em que o ato laboral seja uma ação saudável, ou melhor, um espaço de liberdade e criação, no qual a dignidade humana se torne efetivamente um valor a ser considerado."
- José Roberto Montes Heloani
"mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido"
- Charles Chaplin
quando crescer quero ser ninguém
ser um grande nada
nadar sem pressão atmosférica
galgar alcançar o vácuo
e sempre ter a sensação de vazio.
completude não completa.
vou viver de poesia
e a poesia sim,
vai transformar o vil metal
em gotas de pano
que pingam em meus olhos,
e me vendam para a vida privada
mas imputam cores macias
para deliciosas e imprevistas possibilidades.
vou ser um ser humano profissional
técnico do amor
especialista em minha amante
doutor em compartilhar risadas no escuro do quarto
phd em carinhos e carícias no monótono domingo.
quero ser uma pessoa em espiral
que sobe em círculos rumo a felicidade
a ovelha utópica desgarrada,
e mostrar que praias e temperos
não são nada sem o tato,
só o tato faz ver e sentir o gosto da vida.
o paladar. o mar.
uma pitada de sal.
quando crescer quero ser ninguém
ser um grande nada
nadar sem pressão atmosférica
galgar alcançar o vácuo
e sempre ter a sensação de vazio.
completude não completa.
vou viver de poesia
e a poesia sim,
vai transformar o vil metal
em gotas de pano
que pingam em meus olhos,
e me vendam para a vida privada
mas imputam cores macias
para deliciosas e imprevistas possibilidades.
vou ser um ser humano profissional
técnico do amor
especialista em minha amante
doutor em compartilhar risadas no escuro do quarto
phd em carinhos e carícias no monótono domingo.
quero ser uma pessoa em espiral
que sobe em círculos rumo a felicidade
a ovelha utópica desgarrada,
rasgada
que vai deixar de servir o serventee mostrar que praias e temperos
não são nada sem o tato,
só o tato faz ver e sentir o gosto da vida.
o paladar. o mar.
uma pitada de sal.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Sonhos
Dentro da opaca luz que tenta oprimir a sensação de estar a só, preferi desligar o interruptor e largar dessa opressão da luz artificial. No escuro somos mais sensíveis e sinceros, tanto com nós mesmos em nossos pensamentos quanto a dois no sexo. Desde criança me pergunto o porquê de tantos pensamentos em momentos de insônia no escuro do quarto. São pensamentos potencializados, mastodônticos, consoantes ao sonho. Neles eu sinto a linha tênue entre a vida desperta e o onírico mar em combustão. Na insônia, vez ou outra, tenho a sensação de um bom começo. Um começo pra nada em específico, sinto apenas algo que se inicia, leve e acalentador, que me explode rumo ao sono com uma felicidade que só pode ter vindo da união de todas as cores que formam o preto que meus olhos vendados enxergam, agora é tudo preto, é tudo colorido e a sincronicidade do sentimento de mundo deságua numa queda bruta de unidade catártica em meu movimento rápido dos olhos. Durmo.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Beba água.
Se quando imerso em novos rumos teus
perceberes evolução,
senta-te e tente chorar,
não dá.
Se os teus rumos tomarem nova posição,
senta-te e tente observar,
se chorar,
imerja-se novamente,
ainda não chegou o fim.
Quando antes do confronto,
decidires chorar,
segura-te e apóia-te,
mas não se sente, sinta.
Fecha-te os olhos,
mas não durma.
Se quando após o enfrentamento,
decidires gritar,
não grite, chore.
Pois já será hora de derramar-se e espalhar a agua contida.
Regar a terra e a ti mesmo: pela pele.
perceberes evolução,
senta-te e tente chorar,
não dá.
Se os teus rumos tomarem nova posição,
senta-te e tente observar,
se chorar,
imerja-se novamente,
ainda não chegou o fim.
Quando antes do confronto,
decidires chorar,
segura-te e apóia-te,
mas não se sente, sinta.
Fecha-te os olhos,
mas não durma.
Se quando após o enfrentamento,
decidires gritar,
não grite, chore.
Pois já será hora de derramar-se e espalhar a agua contida.
Regar a terra e a ti mesmo: pela pele.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Camaru na janela, miles no quarto
Como bois zebu aqueles ecos ressoam no meu nariz, não pelo fato dos sons serem nasais, mas pelo fato de serem bois, se viessem de humanos seriam muito mais auditivos. Essas praias que emitem brasas cinzas nas tardes dessas madrugadas são no mínimo inesperadas. Sons provenientes da exposição agropecuária fora da janela versus sons do Bitches Brew tentam ver qual seria mais invasivo, um fisicamente, outro transcendentalmente. Dois pesos e duas medidas. Deixo o surrealismo e o experimentalismo conversarem entre si e não meto minha colher. Em briga de sentidos sou mais colorido.Agora percebo o porquê do trompete. Ele conversa fluentemente a língua que é de forma muito precisa, o tanto de síncope necessária para a fome do fluxo de sensibilidades. Não entendo bem a circunstância do momento em que escuto o jazz, mas fico muito sereno quando percebo que não é necessário entender, pois ele assume minha capacidade de sentir e me deixa a par da hermenêutica. Ele.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Aqueles versos...
Ainda bem que logo ali atrás da parede mora a felicidade em diversos cheiros, pena que lá é grande e bagunçado. Outro dia escrevi um poema triste, ele veio denso, quente e escuro, mas agora já está morno, devo ter deixado muito tempo em cima da pia. As panelas estão sujas e o microondas está estragado, vou ter que servi-lo frio mesmo. Mexi um pouco com uma colher, ela era de metal e percebi que é boa condutora. Voltei a sentir a temperatura daqueles versos.
Perfumes
Cabeça profusão de idéias escusas
não entendo a voracidade da auto-destruição
nem tampouco a profundeza de um negro pensar
a chuva de imagens-sensações que passam dentro dessa capacidade de consciência,
são assustadoramente avassaladoras,
de tamanha força, que move o corpo a atingir um tal grau de latência
incompreensível para qualquer animal humano.
A carcaça de um ser puxado por uma consciência como essa
se move com aquele olhar estatelado e uma ausência não compreendida
pois não é ausência, e sim uma presença em não-locais taciturnos.
A capacidade de incorporar a solidão é extrema,
todos ao redor são de tamanha importância para essa vida
que a simples ausência física de tais pessoas
me promovem um mergulho.
Um Iceberg. Eu. Silêncio ensurdecedor. Noite. Frio.
Amo e odeio pessoas com uma intensidade
que só é explicada quando me vejo cercado delas
e quero sair.
Quando me vejo distante delas
e quero voltar.
Odeio escrever palavras obscuras,
elas quase fedem.
Mas qual será o cheiro das pessoas amanhã?
Acho que vou ter faro.
não entendo a voracidade da auto-destruição
nem tampouco a profundeza de um negro pensar
a chuva de imagens-sensações que passam dentro dessa capacidade de consciência,
são assustadoramente avassaladoras,
de tamanha força, que move o corpo a atingir um tal grau de latência
incompreensível para qualquer animal humano.
A carcaça de um ser puxado por uma consciência como essa
se move com aquele olhar estatelado e uma ausência não compreendida
pois não é ausência, e sim uma presença em não-locais taciturnos.
A capacidade de incorporar a solidão é extrema,
todos ao redor são de tamanha importância para essa vida
que a simples ausência física de tais pessoas
me promovem um mergulho.
Um Iceberg. Eu. Silêncio ensurdecedor. Noite. Frio.
Amo e odeio pessoas com uma intensidade
que só é explicada quando me vejo cercado delas
e quero sair.
Quando me vejo distante delas
e quero voltar.
Odeio escrever palavras obscuras,
elas quase fedem.
Mas qual será o cheiro das pessoas amanhã?
Acho que vou ter faro.
sábado, 30 de agosto de 2008
Quinta-feira
Hoje eu sou mais velho que ontem quando aquela loucura do dia de quinta-feira me tornou menos digno de empatia e respeito. Agora só me resta olhar pra trás, derramar o leite, e mijar em cima dele (esse negócio de chorar já não faz mais a cabeça). Deve ficar uma cor pastosa, urina e leite. Bom, depende também do tipo do chão, aqui em casa é de azulejo cinza, tanto no quarto quanto na cozinha, quando eu cheguei aqui já era desse jeito e nunca pensamos em mudar. No frio a gente anda de meia, o azulejo fica gelado.
Eu tinha falado sobre estar mais velho, deve ser por ter acordado com o cheiro do vinho barato na língua e ter ficado por alguns minutos olhando minha cara no espelho, muitos detalhes pra uma face só. Isso de não fazer a barba é igual remela no olho, a gente tira pra ficar menos porra-loca (pelo menos esteticamente). Só que na rua ao verem minha remela me avisam, falam pra tirar, já a barba apenas olham, e pensam. Mas hoje não é mais quinta-feira e em fins de semana a remela acumulada tem mais qualidade. Ela pode ser uma forma de recuperar aquela empatia e respeito perdidos na quinta. Com uma remela que se impõe me sinto menos verde.
Eu tinha falado sobre estar mais velho, deve ser por ter acordado com o cheiro do vinho barato na língua e ter ficado por alguns minutos olhando minha cara no espelho, muitos detalhes pra uma face só. Isso de não fazer a barba é igual remela no olho, a gente tira pra ficar menos porra-loca (pelo menos esteticamente). Só que na rua ao verem minha remela me avisam, falam pra tirar, já a barba apenas olham, e pensam. Mas hoje não é mais quinta-feira e em fins de semana a remela acumulada tem mais qualidade. Ela pode ser uma forma de recuperar aquela empatia e respeito perdidos na quinta. Com uma remela que se impõe me sinto menos verde.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Eu
"Da cidade, que é corpo, sou alma"
- Danislau Também, em A Pele do Asfalto
Escrever em primeira pessoa é um projeto ousado
nada é mais difícil do que esboçar palavras sobre o eu.
Mas madrugadas hipnóticas são propícias ao desenvolvimento de tal projeto.
Música de fundo não falta
a consciência atinge tamanho nível de sensibilidade
que a atenção seletiva atinge a amplitude da cidade se unindo a ela
e deixa de existir apenas dentro do cubo de concreto.
Nunca o ser humano caótico
de uma metrópole decadente
se torna tão sensível quanto na madrugada.
Por isso o sexo, a embriaguez e a arte.
Produção incessante dessas três inerências do ser
que durante o dia são devoradas
por uma rotina maquinal calculada inconscientemente
e que a noite afloram para provar que ainda temos em nós
o espírito de unidade, a vontade humana de união
que de fato nos faz uma primeira pessoa.
O cotidiano engole a primeira pessoa
o eu se dissolve em vicissitudes
provocadas pelo tão famigerado capital
e enquanto isso nossos cubos de concreto
aguardam ansiosos pelas madrugadas
onde a solidão se faz presente
e a vontade de retorno ao uno
se faz inevitável.
De madrugada somos todos primeira pessoa
somos uma pessoa só.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Estranhamento
Deixo-me levar por uma grande palavra
que parece ser a contra-guia do espírito do tempo
não a vejo
não a toco
não é deus.
Somente a sinto como uma bela flor
que espanca.
Não me estranhe,
é possível sentir essa palavra
quando da vida se espera um vôo
que rasga cabeças para se fazer mostrar,
assim percebo que me fiz vivo
pois o outro me contempla
e acima de tudo me sente.
Na língua não vejo essa palavra
não é sonora nem tem cor.
Me vejo inerte
pois não há mais corpo
não há mais mundo
apenas há.
Ela não se traduzirá
mas caso o prazer da vida
venha da ácida contravenção
que escancara verdades inventadas,
deixe-se levar por essa palavra,
pois nosso caduco mundo
carece daquele vento
para uivar suas gélidas madrugadas
e estilhaçar suas vidraças.
Agora tenho cacos em minhas mãos.
que parece ser a contra-guia do espírito do tempo
não a vejo
não a toco
não é deus.
Somente a sinto como uma bela flor
que espanca.
Não me estranhe,
é possível sentir essa palavra
quando da vida se espera um vôo
que rasga cabeças para se fazer mostrar,
assim percebo que me fiz vivo
pois o outro me contempla
e acima de tudo me sente.
Na língua não vejo essa palavra
não é sonora nem tem cor.
Me vejo inerte
pois não há mais corpo
não há mais mundo
apenas há.
Ela não se traduzirá
mas caso o prazer da vida
venha da ácida contravenção
que escancara verdades inventadas,
deixe-se levar por essa palavra,
pois nosso caduco mundo
carece daquele vento
para uivar suas gélidas madrugadas
e estilhaçar suas vidraças.
Agora tenho cacos em minhas mãos.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Sobre estar com sono
Vigília versus sono.
Nadar de braçadas em um mar onírico
substancialmente denso
para recriar releituras
feitas em vigília.
Acordar dormindo
e escalar aquele imenso monte
daquela inebriante paisagem
que se mostra desfiada em cores
dentro do que se chama fechar os olhos.
Fluir fervoroso como fogo.
A consciência imersa
nesse eterno iniciar em chamas
com pensamentos suspensos em um varal
no quintal da loucura.
Dormir com o pincel
das cores inconscientes
para lidar com o outro
pintando no espelho das relações
a cor dos sonhos.
A existência então se projeta.
Nadar de braçadas em um mar onírico
substancialmente denso
para recriar releituras
feitas em vigília.
Acordar dormindo
e escalar aquele imenso monte
daquela inebriante paisagem
que se mostra desfiada em cores
dentro do que se chama fechar os olhos.
Fluir fervoroso como fogo.
A consciência imersa
nesse eterno iniciar em chamas
com pensamentos suspensos em um varal
no quintal da loucura.
Dormir com o pincel
das cores inconscientes
para lidar com o outro
pintando no espelho das relações
a cor dos sonhos.
A existência então se projeta.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
patos mancos
como fazer estrago?
basta correr contra os patos mancos
eles sempre estão por aí a nos importunar
com aquela malemolencia pacata
que nos coloca em transe hipnótico.
percebemos com eles que o estado de vigília é uma filosofia do desespero
andamos em volta da lagoa
mancos, em círculos,
um após o outro,
desesperado para chegar,
apenas chegar,
num tal lugar
nos banhamos vez em quando,
só que somos mancos
e logo nos cansamos desse simples difícil ócio
e voltamos a mancar
mancos do olho
cegos do pé
para no fim da roda
acabar defumado em cima de uma mesa cheirosa
no estômago de uma pessoa perfumada
na privada de um banheiro azulejado
no ralo de uma cidade caótica
no esgoto de uma favela
onde a criança nada alegremente manca.
basta correr contra os patos mancos
eles sempre estão por aí a nos importunar
com aquela malemolencia pacata
que nos coloca em transe hipnótico.
percebemos com eles que o estado de vigília é uma filosofia do desespero
andamos em volta da lagoa
mancos, em círculos,
um após o outro,
desesperado para chegar,
apenas chegar,
num tal lugar
nos banhamos vez em quando,
só que somos mancos
e logo nos cansamos desse simples difícil ócio
e voltamos a mancar
mancos do olho
cegos do pé
para no fim da roda
acabar defumado em cima de uma mesa cheirosa
no estômago de uma pessoa perfumada
na privada de um banheiro azulejado
no ralo de uma cidade caótica
no esgoto de uma favela
onde a criança nada alegremente manca.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
folhas infinitas
Reconfigurar o mundo, reconceituar a paixão, interpretar a desilusão
a luz do pensamento
reler as virgulas,
os pontos,
a tônica,
se possível diluir a métrica.
intuir o desejo,
somar à vontade,
e convergir. ao infinito.
finitudes sem ter fim,
prazeres por um sim,
verdades, tremores,
energia no pescoço,
.
e também refletindo em vísceras,
no escuro interno do corpo.
vibrando a pele e o ar.
transmissão dual:
por aqui e por aí.
a luz do pensamento
reler as virgulas,
os pontos,
a tônica,
se possível diluir a métrica.
intuir o desejo,
somar à vontade,
e convergir. ao infinito.
finitudes sem ter fim,
prazeres por um sim,
verdades, tremores,
energia no pescoço,
.
e também refletindo em vísceras,
no escuro interno do corpo.
vibrando a pele e o ar.
transmissão dual:
por aqui e por aí.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
dá pra rolar viu...
Sou um sonhador mesmo, mas sonho com coisas reais.
Aqueles que dizem que tudo é um sonho não querem ver, por razões nefastas, que a realidade dos sonhos é tão próxima quanto se queira.Rejeitar e falar e dizer que isso tudo é balela, é qualificar-se abaixo da neutralidade. Conduz ao fim. Despediçar uma vida inteira de potência parece ser mais cômodo para a maioria. O que há em nós que nos faz ver isso como verdade? E o que foi feito de nós? Tento não procurar saber e com a força do cosmos eliminar de mim todas as pontes fracas incutidas por um certo tempo em meu caminho. Todo alarde e medo criado pelos homens à respeito do misterioso e daquilo que toca a alma verdadeiramente, pernoita em nós diariamente cansando nossos ombros e nos fazendo olhar para baixo. Exige esforço físico e determinação assumir nossa identidade com nossa mente e coração e nossa relação principal com a terra. Mas a meu entender, essa deve ser a busca. Acho que vai fazer bem.
Aqueles que dizem que tudo é um sonho não querem ver, por razões nefastas, que a realidade dos sonhos é tão próxima quanto se queira.Rejeitar e falar e dizer que isso tudo é balela, é qualificar-se abaixo da neutralidade. Conduz ao fim. Despediçar uma vida inteira de potência parece ser mais cômodo para a maioria. O que há em nós que nos faz ver isso como verdade? E o que foi feito de nós? Tento não procurar saber e com a força do cosmos eliminar de mim todas as pontes fracas incutidas por um certo tempo em meu caminho. Todo alarde e medo criado pelos homens à respeito do misterioso e daquilo que toca a alma verdadeiramente, pernoita em nós diariamente cansando nossos ombros e nos fazendo olhar para baixo. Exige esforço físico e determinação assumir nossa identidade com nossa mente e coração e nossa relação principal com a terra. Mas a meu entender, essa deve ser a busca. Acho que vai fazer bem.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
mudar poesia
QUE MERDA QUE MERDA QUE MERDA!
NÃO MAIS NUNCA MAIS NÃO= NÃO NÃO NÃO NÃO!
AGORA MAIS LOGO EM BREVE= SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM!
UM PRESENTE DO NÃO.
UM FUTURO DO SIM.
INSUBORDINAÇÃO DE SÍ.
NÃO MAIS NUNCA MAIS NÃO= NÃO NÃO NÃO NÃO!
AGORA MAIS LOGO EM BREVE= SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM!
UM PRESENTE DO NÃO.
UM FUTURO DO SIM.
INSUBORDINAÇÃO DE SÍ.
terça-feira, 1 de julho de 2008
fé fé fé fé fé fé fé férias.
férias férias! disse o morto vivo
liberdade, pede o acorrentado,
jorra sangue desidratado,
amor, pede as artérias,
AMOR PEDE AS ARTÉRIAS...
por que as férias de 30 dias?
se o ano tem 365?
por que uma vez no ano?
se o ano tem 365 vezes?
por que não entender que as férias,
é tão, é tal natural,
e tanto natural,
que o tal universo se faz assim.
por que não ousar e até mesmo se atrever a dizer ,
porque falar e sentir é um presente do cosmos,
que quando se acorda, se vive e se faz, se vive esse sim,
percebe-se a imensidão do horizonte..
E O RIO QUE CONTINUA A FLUIR
daí até plantar bananeira não se vão 5 segundos,
e subitamente você é planta...
PLANTA, PLANTA!
liberdade, pede o acorrentado,
jorra sangue desidratado,
amor, pede as artérias,
AMOR PEDE AS ARTÉRIAS...
por que as férias de 30 dias?
se o ano tem 365?
por que uma vez no ano?
se o ano tem 365 vezes?
por que não entender que as férias,
é tão, é tal natural,
e tanto natural,
que o tal universo se faz assim.
por que não ousar e até mesmo se atrever a dizer ,
porque falar e sentir é um presente do cosmos,
que quando se acorda, se vive e se faz, se vive esse sim,
percebe-se a imensidão do horizonte..
E O RIO QUE CONTINUA A FLUIR
daí até plantar bananeira não se vão 5 segundos,
e subitamente você é planta...
PLANTA, PLANTA!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
nada
Acabei de presenciar algo dantesco,
todos os meus poros abertos,
atingidos por uma onda de mar,
o sal e o mar, resseca, é verde.
diante da obscuridade de nossa existência,
muito podemos indagar,
nada há de obviedade nos fenômenos,
e nem padrão há na razão,
aquela razão que não tem chão.
Vivendo em acaso
e pela imprevisibilidade dos fatos futuros,
prentedemos entender e visualisar,
aquilo que não há nem em pensamento:
pretensão analítica supostamente lógica diante de uma previsão irreal.
Se o que vem e o que o foi, não é e foi, respectivamente,
então nos resta ser. Ser junto -nem sob nem sobre - diante do que é ao mesmo tempo.
Junto do fato vem sofrimento,
Diante de mim não deve haver guerra.
Mas sabedoria para raciocinar vida
e destreza para conduzi-la.
todos os meus poros abertos,
atingidos por uma onda de mar,
o sal e o mar, resseca, é verde.
diante da obscuridade de nossa existência,
muito podemos indagar,
nada há de obviedade nos fenômenos,
e nem padrão há na razão,
aquela razão que não tem chão.
Vivendo em acaso
e pela imprevisibilidade dos fatos futuros,
prentedemos entender e visualisar,
aquilo que não há nem em pensamento:
pretensão analítica supostamente lógica diante de uma previsão irreal.
Se o que vem e o que o foi, não é e foi, respectivamente,
então nos resta ser. Ser junto -nem sob nem sobre - diante do que é ao mesmo tempo.
Junto do fato vem sofrimento,
Diante de mim não deve haver guerra.
Mas sabedoria para raciocinar vida
e destreza para conduzi-la.
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