quinta-feira, 25 de março de 2010
termômetro do outro lado do muro mede luz
em meio à turbina engatilhada
da baixa visão incólume
onde sobra espaço?
no vácuo
vá até lá e grite
onde sobra som?
na vida
vá
até
lá
se
me
ar
e sopre
quarta-feira, 17 de março de 2010
RIZOMA
meu peito se autopromoveu a tubérculo
e daí em diante tudo alucinou-se terra
não sabia mais por onde ir,
por isso fomos para todos os lados
ao mesmo tempo
tecemos o livre mapa das possibilidades humanas
e lá,
tudo
era o fora
o dentro
era o sempre
e o nada
era um tanto
bebemos todo o pote em silêncio
e arrotamos sete cores para o mundo
pois perto dos pés
tudo é ouro
e na terra
que vacila
o nada pode tudo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
simples complexo
idéias!
jogue-as ao vento
nenhuma árvore é sol
se nao houver lua
seja seu próprio desenho,
respire o sopro
para se tornar você:
um outro.
sábado, 6 de março de 2010
corpo quieto
infinito é tudo aquilo
que de olhos fechados,
se vê com o olhar
da pele
sem nem precisar
tocar
espirro d'alma
em carinho com o mundo
ter tato
ser tátil
o corpo é um mero detalhe
domingo, 28 de fevereiro de 2010
bom dia
todo dia
antes de dormir
sonho
quando durmo
sono
ao acordar
som
lá no sonho
só
caso sol
somente
se sou, somo.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
caosmos
despiram todos os meus medos
jogaram na parede e pronunciaram:
"filho, ou você alinha os botões da camisa
ou compra sua bicicleta e sai"
resolvi arrancar os botões
joguei-os como búzios
minha sorte estava toda ali
cada néctar, cada sumo, cada húmus
clamando por meus pés nus
novamente os medos na parede
fraca dos botões,
a camisa nua, vestiu-se de meu corpo
e lá eu fui
mais uma vez pra dentro da caixa
concreto como gasolina no ar
sabendo que tudo me espera
tudo
cumpro a função,
tentando sempre
desparafusar paráfrases de ordem
e unir o caos ao cosmos
sou flor e cor na pastagem de brita:
caosmos
mas a falta de botões
é sempre alvo dos mais perversos olhares:
"ele não é daqui. não. não é daqui."
é...
bicicleta mesmo
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Livre tratado poético
poesia é insônia que esqueceu-se de ser
para transmutar-se sonho
poesia é verbo que se conjuga errado
pois ser e estar só existem
em gramados que sopram com delicadeza o prazer que há no Nada
taí o grande mistério de todo poeta
o Nada caminha pelo mundo
profetizando a inversão de toda lógica mundana
se o poeta não abraça o amanhecer de cada dia
compactuando-se com esse tipo de profecia
não há trabalho que não seja tortura
não há caos que não vitrifique lágrimas
não há terror que não psicotise sorrisos matutinos
e não há vidas que não se desafinam nas orquestras de 60 minutos
mas aí o poeta chega e entoa a ode de todas as coisas
diante do público de todos os tempos
e tudo o que bordava estratos de concreto na paisagem em ponto morto
ladrilha delicadamente o caos em um gozo de bebê que ao ver a mãe
só se esquece de voar.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Desquerer
que não o de estar tomando uma ducha gelada,
num box de ladrilho azul com buchas,
cada uma uma cor,
em Caxias do Sul,
refrescando meu corpo nú.
Ou em Quixeramobim ao lado de tú,
num círculo de bambu sob o sol,
com água de bica.
E também me dar bom alimento.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
brincadeirinha
Minha mente é um poço.
Certo dia, uma criança brincando no abstrato, tropeçou ao contrário e caiu lá dentro.
Deu em todos os noticiários:
"Criança presa em poço há mais de 48 horas!"
"Técnicos não chegam a nenhuma conclusão precisa sobre a profundidade de tal poço!"
"Bombeiros não obtém sucesso ao utilizar seus guindastes!"
Até que no terceiro dia, uma senhora cansada de todo aquele espetáculo, desligou a TV.
E a criança e o poço viveram felizes para sempre.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
meu lanchinho
não sei mais
o que ando fazendo com o tempo
por isso o desfaço,
e o que resta,
desmancho em versos
e como no café da manhã
sempre como nu
que é pra não ter que sentir clausura
quando o mundo me adentra
estar nu
torna melhor a digestão do cru
e ninguém vai me entender melhor por isso
assim, cozinho minha roupa e saio,
fertilmente vestido da cabeça aos pés
acho que assim me disfarço bem
e só como aquilo que me convém
sábado, 30 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
amor, queridos, amor...
para o próximo ano, quero suor afetivo.
na comunhão de poros e pele, e pêlos e carne, tudo o que nos resta é a afetividade sincera do suor em uma amálgama de pureza no corpo aqui com a pele dali, tudo uma coisa só dentro de várias, e como isso é mágico! minha pele pela do outro. para duas almas, um único suor. e a gente não é bobo de ignorar que esse lance de duas almas (uma aqui, outra ali) vai por água abaixo quando o suor cria o pacto afetivo-espiritual do amor. tudo é uno.
unidade na alma, então.
e suor afetivo aqui e ali.
pra 2010, mais pessoas suando por amor, menos suando por uma necessidade inventada (esse suor, todos sabem, fede).
amor, queridos, amor...
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
o prazer e o pacto nas chuvas
se um dia o mundo imaginar
que corpo é porta pra vida
lembre-o que tudo alucina
tudo vacila ao olhar pra cima
o céu nunca foi ponte nem chave
sempre foi verbo
e verbo não se conjuga com o olhar
e sim com toque simbiose
de poros em transe
por isso corpo transmuta pactos
o corpo nunca é
tampouco está
o corpo se pactua com tudo que resvala afeto
e o verbo céu
é total figura fundo
para o suor de nuvens
que transam tempestade
chova comigo
até que lampejo e gozo
sejam eletricidade de sons
e atravessem todas as vidas na cidade
alagando as ruas de qualquer estômago desatento
engendrando blecaute em olhares mancos
raiorgasmo pureza primal
corpos sempre pactuaram nuvens que transam chuva
sábado, 26 de dezembro de 2009
loucura, presente.
hoje viverei o presente
pois sei que
sem a loucura universal,
sou palha e fogo querendo
se encontrar
enquando sou louco
sou perfeito,
sou presente.
e o queimar-se é sempre futuro.
qualquer chama é futuro,
não existe presente
no ardor sempre mutante do fogo
abraço a loucura de todos os tempos
pois ela é o presente
é alma planetária em desvario
é chama a esperar eternamente seu próprio devir
é um aspirar-se fogo
nunca o sendo de fato
é o estar sempre em suspensão
ela é o decorrer eterno da queda profunda
no abismo da alma
cujo chão é mera vaidade
por isso se faz tão firme
rente ao espelho total
vaidoso chão imaginário
de alma sedutora e envolvente
alma louca que se fogo fosse
futuro seria
e futuro não existe nos jardins da loucura
mas é presente
num alucinado gozo incendiário.
na loucura
tudo é presente
tudo aguarda ser chama
e nunca a será
pois a certeza
da loucura
é a de que o futuro
morrerá
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
porvir saudade
uma folha,
em seu carinho com a chuva
homenageia o mundo
no reluzir embriagante
da gota d'orvalho
você,
com seu sorriso de música universal
exagera o mundo
na suavidade d'uma lágrima
condão da saudade
ainda não vivida.
saudoso futuro
latente presente
no desperdir-se.
gota:
lágrima orvalhada.
espero-te.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Encantado
sou
eterna
parafina
decantada
próxima
as
chamas
do
firmamento
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
pairar então
Marc Chagall, Enchantment Vesperaltropecei dia desses
numa flor
manca
momento duro
ela se inclinou
em direção ao tempo
e ao tentar beber
a voracidade de um crepúsculo,
engasgou-se
com a ávida sensação
do horizonte de mundo todo
porém
quando se vive
com um sol que arde n'alma,
não há dor que não engendre raios
tampouco lágrimas que não adubem
terra
____em nosso
____________espectro
e esse sim,
sente o gosto afável
de flor que está
sempre prestes
a levitar.
pairemos,
pois.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
vontade dos astros
desde que se saiba
que ela é o verbo
da tessitura dos astros
que cortam e atravessam
nosso corpo,
deixando ali plantada,
uma luz
jogando-se então no chão
com tudo o que lhes sombra.



