segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Livre tratado poético


poesia é insônia que esqueceu-se de ser
para transmutar-se sonho
poesia é verbo que se conjuga errado
pois ser e estar só existem
em gramados que sopram com delicadeza o prazer que há no Nada

taí o grande mistério de todo poeta

o Nada caminha pelo mundo
profetizando a inversão de toda lógica mundana

se o poeta não abraça o amanhecer de cada dia
compactuando-se com esse tipo de profecia
não há trabalho que não seja tortura
não há caos que não vitrifique lágrimas
não há terror que não psicotise sorrisos matutinos
e não há vidas que não se desafinam nas orquestras de 60 minutos

mas aí o poeta chega e entoa a ode de todas as coisas
diante do público de todos os tempos
e tudo o que bordava estratos de concreto na paisagem em ponto morto
ladrilha delicadamente o caos em um gozo de bebê que ao ver a mãe
só se esquece de voar.