sexta-feira, 28 de agosto de 2009


SUBLIME
essa palavra que

sublinha a

ALMA
sublime

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

poros feitos de Barros


domingo inteiro
escutando os poros
da pele
conversarem entre si

uns suavam
achando-se no privilégio
de nascentes

outros tinham aspirações
à pedra,
ou no máximo a musgo
desses de úmida pretensão

na nuca,
uns gorjeavam cores
tanto de relva que grita
quanto de lama em silêncio

poros peitorais
têm mania de árvore
e só respiram sol,
pois, à noite,
acasalam-se com o luar
num belo ritual
de ventos e pêlos em folha

cada um
com suas meditações,
desvairios e gemidos

de repente
todos se calaram
e ouviram um solitário
poro de dedo de pé:

- ser em qualquer forma,
desde que vegetais
queiram nos ser.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

pescaria e mergulho


há olhares que de acordo com o rio
deixam-se levar pela mata ciliar
e esquecem de se banhar

não que a mata seja ruim,
ela ainda cheira verde
espera signos e transpira sol

mas em um rio
os olhos ganham significado
de performance

perfeita forma da água
e o olhar se mergulha
criando encanto de luz
ao dialogar com sombra

os olhos deviam ser água mesmo
pois ao derramarem sensações
em um banquete de cautela
adquirem espaço forma de outrem
e o silêncio flui

os olhares tinham que ser o outro

mas que graça teria
olhar e não ter a delicadeza
do desvendar e se aventurar
em um rio que se resguarda?

isso é eterno

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

luz que reverbera

para syd barrett
há que se dedicar
dias de solidão
para fotografar
o enlouquecer-se

uma fusão dos suados vincos da pele
embevecidos de sol

com

feixes solares de fim de tarde na janela
e a poeira que os flutua

a pele agradece em frenesi

o banho é um pecado mortal

dias assim devem ser
regados à paraísos artificiais

cama, chão, lençol
e as paredes

e eu rolando nu pela casa
até flertar com o espelho
e em um sincero monólogo ao pé do ouvido
tento convencer meu reflexo

ele tinha que se entregar a mim
doar-se
dar-se
pra loucura ser sublime

uma transa refletida
transmissão dual

mas com o monólogo
o espelho embaçou
e vi meu reflexo escorrendo
ralo abaixo

lindo isso de se olhar no espelho
e não ter mais reflexo

tive que
abrir a porta de casa
e ir correndo abraçar alguém

sentir-me pela pele de outro

eu