domingo, 17 de abril de 2011

atletismo afetivo*


comecei a estudar a história dos tempos
baseada nos sulcos amarrotados
de meu lençol usado jogado no canto do quarto

na trama das verdades
que se enlaçam em terreno tão acidentado
descobri com um saciado sorriso
a origem das espécies

tudo a olho nu
despido das imagens habituais
que queimam as roupas velhas nos varais dos pensamentos
grandes sacações, reviravoltas e desfechos impensáveis
teciam os mais bárbaros acontecimentos

a origem das espécies,
um vórtice que bruscamente
captura todos nossos sentidos como relâmpago no ar
e está toda amparada
na difusão
do mais denso e substancial
cheiro
um simples e nada simples cheiro

há que se fazer história
pelo nariz
desbravar desertos e povoados que nos percorrem o corpo
com nômade
fluxo
ora ofegante
ora em profunda respiração
olho nu
olho cerrado
contração
relaxamento

atletismo afetivo

a origem das espécies
trocou de pele nos sulcos inquietos
do lençol usado
produzindo a cada intervalo entre os vários pensamentos
cheiros e cheiros jamais respirados

sítio arqueológico inventivo
no canto do quarto
na tecitura amassada de um lençol sujo
que cheira
as mais variadas
ins
pirações

e a vida ali
é efetuação
transborda no tempo
os mais simples gostos do
real



*atletismo afetivo, criação do mestre xamã não iniciado, antonin artaud

2 comentários:

João disse...

'variadas
ins
pirações'

muito bem feito o trocadilho
usando e articulando as palavras muito bem, gostei.
abrçs

Bárbara disse...

in vino
veritas



Foram todas as garrafas
para sobrarem inspirações

Todo aroma que ama recria a Verdade

tinta ao cálice
tilinta riso nos cristais
dançantes

Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Santos e Madri

paladares à mesa

Há que se fazer história
Pelo nariz