terça-feira, 27 de março de 2012

da cidade que há em todos


sibilos do amor
nas orelhas desafinadas desse mundo

a nuca transpira a métrica das ruas

na cidade
arborescência turva e decadente,
amor e caos
transando sementes
em todas as cabeças afoitas

não há onde, nem depois,
caminhos rabiscam desatinos
o amor está na brita do asfalto
se retesando na borracha
dos pneus
que
anti-insólitos
passam

paladar morto como confete no ar
e todos caminham quando se abre o sinal

o amor na cidade
bate sempre na nuca

a testa se esfola no chão

veias e vasos sanguíneos abstratos
nos povoam em plena avenida

os viadutos escancarando
perversas aortas
de promiscuidade chula

rente à fachada da loja
o vendedor não viu

o semáforo ficou verde
animais carniceiros não perdoam nunca

no asfalto,
uma orelha atropelada

sibilos do amor

2 comentários:

Samuel Giacomelli disse...

Foi um grande prazer estar presente ao lançamento de seu livro, camarada.
Estamos juntos. O lerei com cuidado e atenção e prosseguirei visitando seu espaço virtual.
Grande Abraço e longa vida aos teus escritos

Paulinha Tavares disse...

"o amor na cidade
bate sempre na nuca"

Isso tem uma força imagética, posso ver claramente como um filme, uma foto, ou sabe lá, só dentro das minhas palpebras mesmo.

Seguindo aqui.