sábado, 25 de agosto de 2012

dance, sábado, dance


sábado é êxtase

borboletas de chumbo pairam
sobre os quartos
das moças que se vestem
na noite

uma volúpia
na montanha-russa abdominal
insiste em berrar
amor
amor
amor
e o vento nas ruas se eletriza
como sax em cópula
nos palcos das cabeças asfaltadas

os corações transitam
em ritmos ancestrais
e se intumescem, primitivos,
desejosos,
como prisioneiro arquitetando fuga
na madrugada veloz

enquanto
os tolos vendados
desligam suas anestesias privadas
e morrem
dentro de seus sonos febris,
uma garota à flor da pele
molha
em silêncio
sua calcinha na multidão

a bêbada e o equilibrista,
travestidos,
oferendam seus corpos
despencando suor
nas frestas mais insuspeitas
da cidade que rufa tambores atemporais

sábado é êxtase

o mercúrio
dos postes na noite
vibrando sinceridade em suas atmosferas
são intimidantes
e clamam por trôpegos rituais

só resta, imperativa,
uma palavra:
dance

2 comentários:

dredinha disse...

poxa vida meu bem, que onda! é como se vc daí estivesse escrevendo sobre o que vivi de lá! sintonia absurda! mil beijos

Guilherme Damasceno disse...

Troffea.