segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Eu

"Da cidade, que é corpo, sou alma"
- Danislau Também, em A Pele do Asfalto

Escrever em primeira pessoa é um projeto ousado
nada é mais difícil do que esboçar palavras sobre o eu.
Mas madrugadas hipnóticas são propícias ao desenvolvimento de tal projeto.
Música de fundo não falta
a consciência atinge tamanho nível de sensibilidade
que a atenção seletiva atinge a amplitude da cidade se unindo a ela
e deixa de existir apenas dentro do cubo de concreto.

Nunca o ser humano caótico
de uma metrópole decadente
se torna tão sensível quanto na madrugada.
Por isso o sexo, a embriaguez e a arte.
Produção incessante dessas três inerências do ser
que durante o dia são devoradas
por uma rotina maquinal calculada inconscientemente
e que a noite afloram para provar que ainda temos em nós
o espírito de unidade, a vontade humana de união
que de fato nos faz uma primeira pessoa.

O cotidiano engole a primeira pessoa
o eu se dissolve em vicissitudes
provocadas pelo tão famigerado capital
e enquanto isso nossos cubos de concreto
aguardam ansiosos pelas madrugadas
onde a solidão se faz presente
e a vontade de retorno ao uno
se faz inevitável.
De madrugada somos todos primeira pessoa
somos uma pessoa só.

4 comentários:

Cassio Dias disse...

é o que eu ando dizendo por aí:
É PRECISO SE ACHÁR !

David Nascimento disse...

Muito obrigado pela visita...
Realmente se tornou difícil falar em primeira pessoa, pensar em primeira pessoa se tornou praticamente impossível, estamos um tanto quanto suprimidos diante dos aspectos que circundam nossas vidas... mas é isso:
"De madrugada somos todos primeira pessoa
somos uma pessoa só."
Abraço!

Victor Maciel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Maciel disse...

se eu acreditasse em deus, ele seria a noite
nessa cidade q é corpo, "enqto uns dormem", nela viro alma,
nela eu cultuo o deus noite e elevo o espirito!

a tal hipnose chamo d transe,
pavio curto pra catarse,
"na cidade q é corpo, sou alma!"
arte vira celebração
poesia vira reza,
e os 'malditos', novos, vivos ou mortos
viram santos, martires dessa redenção q vira minha

Ah! "há metafísica bastante em ñ pensar em nada"

e, nas madrugadas teimosamente insônes, "sobre o q é a dor, eu prefiro ñ me prolongar... *"

boa note a(s)cesa, alucino.
a(s)cende a vida,
enxe o copo,
q eu vou virar!

* http:/myspace.com/asasdepapel