quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Outros, botos.


semana passada esqueci
do poente rubro
e do olhar quebrado.
um olhar
rompido dos paradigmas
viciantes da morbidez.
esqueci de olhar e penetrar,
apenas olhei.

resolvi o problema (apenas por hoje, ou não):
joguei flores de peixe
numa mochila escaldante, e saí
ela me queimou
em direção ao estômago alheio.
ácidos gástricos
me caíram como lentes,
derretaram as retinas,
as rotinas.
enxerguei, penetrei,
dei braçadas em direção
a um paladar de alteridade
lambi com os olhos
e me vi imerso de outrém,
afogado de epiderme.
nadei em pé
com umidade, toques e cabeças.

mas ainda não tenho barbatanas
tive que virar rêmora
não de tubarões
mas de botos
roxos. também sou cor, fosca.